Terranova, do fundo Actis, entra no setor de data centers de hiperescala
DatacenterDynamics
Dec 2, 2025

O mercado latino-americano de data centers de hiperescala passa a contar com um novo concorrente, informa o Valor Econômico. A Terranova, empresa criada pelo fundo de investimentos Actis, controlado pelo grupo norte-americano General Atlantic, oficializou na terça-feira, 2 de dezembro, o início de suas operações na região. O plano de expansão prevê investimentos de aproximadamente 1,5 bilhão de dólares (8 bilhões de reais) ao longo dos próximos três anos. Além do Brasil, a companhia direcionará esforços para os mercados do Chile e do México, considerados os três principais polos de desenvolvimento de infraestrutura para grandes data centers na América Latina.
A Terranova avaliou sua entrada no setor de data centers ao longo de 2025, segundo o presidente da companhia, José Eduardo Quintella. De acordo com o executivo, a empresa tem trabalhado na aquisição de terrenos e na garantia de fornecimento de energia nas localidades selecionadas. O primeiro empreendimento está previsto para o início de 2026, com a inauguração de um data center em San Miguel de Allende, na região de Querétaro, no México. O projeto terá capacidade instalada de 8 megawatts (MW) e exigirá investimentos estimados em cerca de 90 milhões de dólares (481,3 milhões de reais). Quintella acrescentou que a Terranova mantém negociações avançadas para a aquisição de um terreno no Chile e de outro no México, como parte de sua estratégia de expansão na América Latina.
No Brasil, a Terranova desenvolve dois projetos de data centers no Estado de São Paulo, um no interior e outro no litoral. O empreendimento mais avançado está localizado em Campinas, com inauguração prevista para 2027. O complexo ocupará uma área de 1 milhão de metros quadrados — equivalente a cerca de 100 campos de futebol — e já possui um pedido de fornecimento de 300 megawatts (MW) em análise pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Em Praia Grande, a companhia planeja instalar outro data center em um terreno de 500 mil metros quadrados próximo a um cabo submarino, para o qual foi solicitada uma carga de 450 MW junto ao Ministério de Minas e Energia (MME), em etapa anterior ao ONS. O foco da empresa está em atender grandes companhias de tecnologia, incluindo a Amazon, Microsoft, Google, Meta e Oracle, além das chinesas Alibaba, Tencent, Bytedance e Huawei. A entrada da Terranova representa a disputa em um mercado competitivo, no qual já atuam hiperescalas consolidados como a Ascenty, Scala, Odata, Equinix e Elea Data Centers.
A Actis identificou, em 2023, a crescente demanda por data centers de grande escala na América Latina e, naquele ano, criou a Nexstream, empresa dedicada a atender companhias de diferentes segmentos com projetos de menor capacidade no Brasil, Chile, México, Peru e Argentina. A gestora atua como investidora em data centers desde 2016, com operações na Ásia e na África, além de presença consolidada no mercado de energia renovável na região latino-americana. Esses fatores são considerados diferenciais para a nova iniciativa, segundo o sócio da Actis, Mauricio Giusti, que destacou que a experiência acumulada permite oferecer alternativas energéticas valorizadas pelo mercado.
Em 2022, o fundo adquiriu participação na brasileira Serena Energia, anteriormente conhecida como Omega Energia, empresa dedicada à geração de energia solar e eólica com operações no Brasil e no Texas, nos Estados Unidos. No mesmo período, comprou 90% de uma linha de transmissão da portuguesa EDP em Santa Catarina, em transação avaliada em 2,37 bilhões de reais, concluída em dezembro do ano passado. A Actis também acompanha a tramitação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (ReData), que prevê a isenção de tributos, como PIS, Cofins e Imposto de Importação, para equipamentos destinados a data centers sem similar nacional a partir de 2026. Para o sócio da Actis, a medida representaria um “acelerador competitivo” para o Brasil, embora ainda não tenha sido convertida em lei.